Poema em Preto e Branco
   por Fábio Braga
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Poema em Preto e Branco (Uma Canção Corinthiana)

Que paixão é essa,
Que transforma o mais paupérrimo dos plebeus em nobre da mais alta fidalguia?

Que arte é essa,
Que retira de mim as tintas da miséria e me confere contornos de inigualável realeza?

Que amor é esse,
Que sofre e não abandona?

Que loucura é essa,
Que interdita a razão e obsta o bom senso?

Que doença é essa,
Que estanca os males da vida e cura a minha dor?

Que sentimento é esse,
Que dá substância ao solitário vazio e no dia de frio expele calor na multidão?

Que povo é esse,
Que esquece de si mesmo e se entrega à liberdade de poder gritar: eu nunca vou te abandonar?

Que orgulho é esse,
Que se basta, se afasta, se enlaça num oceano de sonhos?

Que bandeira é essa, cuja imensidão é do tamanho de uma noite em que se vêem todas as estrelas do céu?

Que coração é esse,
Donde brota tanto sangue e pulsa a história?

Que emoção é essa,
Que me enleva em glória, passado, presente e futuro?

Que time é esse,
Que me alegra em sofrimento, me revoluciona em tradição e me envolve em esperança e gol?

Que torcida é essa,
Que não cansa, não pára e nunca se entrega?

Que ser é esse,
Que é muito maior do que um gol, uma partida, um placar, um campeonato?
Que o substantivo não diz, o predicado não qualifica, o verbo não fala?

Que fiel verdade é essa,
Que diz amor quando todas as auroras já se romperam?
Que fala em esperança quando a mais profunda escuridão já se vai em noite alta?
Que solta seu grito de guerra, porquanto a subserviência nos é impossível?
Que não se agasta enquanto o céu desafia a nossa lógica?
Que não se abala ao ver o chão se abrir?

Que nação é essa,
Que sozinho me faz gritar teu nome e na multidão me faz chorar calado?

Que hino é esse,
Que é o símbolo de cada gota de suor em acordes majestosos?

Que camisa é essa,
Que invade um país e canta na noite sem lua, em chuva de prece, vence na água barrenta de um templo cuja noite o tempo jamais esquecerá?

Se você não sabe o que é isso, amigo, desculpe-nos, mas essa história não te pertence.
Não me leve a mal.
Essa glória, com todo respeito, pertence exclusivamente àqueles que nunca entram em campo só com onze jogadores.

Fábio Braga.

Araraquara, 26 de janeiro de 2008, sábado, 16:23 hs.


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