O Corinthians começa o Brasileirão com força total para tentar o
tricampeonato. Foi o time que mais fez contratações: foram contratados o
goleiro Dida, os zagueiros Nenê e João Carlos, o lateral César Prates, o
volante Marcos Senna, o meia Luiz Mário e o artilheiro Luizão.
O primeiro jogo do Timão (contra o Gama) foi um prenúncio do que estaria por vir. Depois de estar perdendo por 2 a 0, o Timão
se recupera e vence por 4 a 2, com quatro gols de Luizão. O segundo jogo,
contra o Botafogo-SP também foi fácil e o Timão venceu por 4 a 1. A campanha da
Primeira Fase refletiu o domínio absoluto do alvinegro: 14 vitórias (incluindo
uma goleada de 4 a 1 sobre o Santos e 4 a 0 sobre o Internacional-RS), 2
empates e apenas 5 derrotas, entre as quais uma goleada sofrida por 4 a 0, para
o Atlético-MG.
Como terminou a Primeira Fase em primeiro, foi para as quartas-de-final com as mesma vantagens
obtidas em 1998. O primeiro adversário era o Guarani, um time relativamente
fácil para o Timão. O primeiro jogo, em Campinas, o Corinthians poderia ter
acabado com tudo. Aos 2 minutos, Ricardinho bate uma falta, que bateu na trave.
O jogo se desenvolveu com o time da casa pressionando e o Corinthians
administrando sua vantagem. Boas chances foram criadas de lado a lado, mas no
final o placar não foi mexido: 0 a 0.
O fato de jogar por
três empates não acomodou o alvinegro para a segunda partida, disputada no
Morumbi. Os primeiros dez minutos de partida foram jogados na metade de campo
do Guarani. O Timão alugou o meio de campo e o primeiro gol era questão de
tempo. Aos 6 minutos, Marcelinho cabeceou para excepcional defesa do goleiro
Gléguer (que já havia rebatido um chute forte de Vampeta). Cinco minutos
depois, Ricardinho arrisca um belo chute, que passa rente à trave. Aos 19
minutos, o primeiro gol. O lateral Kléber avança pela esquerda e cruza para
Marcelinho completar dentro da área: 1 a 0. O Timão
continuou martelando e Fernando Baiano chuta
uma bola na trave, aos 30 minutos. Na etapa final, a pressão continuou. Nos
primeiros dez minutos, Marcelinho, Edílson e Fernando Baiano perderam gols
incríveis. Mas, aos 15 minutos, o gol que selaria o placar da partida. Fernando
Baiano cruzou da esquerda, Ricardinho matou no peito e chutou forte, sem defesa
para Gléguer: 2 a 0.
Na terceira
partida, também disputada no Morumbi no dia 24 de novembro, o Guarani
precisaria vencer por três gols de diferença. E entrou disposto a tentar esta
missão impossível. Mas, no jogo, só deu Corinthians. O time alviverde de
Campinas tinha a bola mais tempo nos pés mas não sabia o que fazer com ela. E o
Timão sabia bem. Aos 2 minutos de jogo. Luizão perde a primeira chance,
chutando na trave. Aos 4, foi a vez de Rincón chutar de longe para grande
defesa de Gléguer. Em um contra-ataque, porém, o Guarani achou um gol, com
Marcinho, aos 29 minutos. E teve a chance de fazer o segundo, dez minutos
depois, através de um pênalti cometido por Nenê. Dida, justificando sua fama de
pegador de pênaltis, defendeu a cobrança. O segundo tempo mostrou um domínio
maior do Timão, que empatou aos 20 minutos com Luizão completando cruzamento de
Marcelinho, da direita. Apesar de desperdiçar mais algumas chances, o
Corinthians se deu por satisfeito com o empate em um gol. Estava nas semifinais
e iria pegar o São Paulo.
Marcelinho e o capetinha Edílson vibram com mais uma vitória do Timão
O primeiro jogo
contra o São Paulo, no dia 28 de novembro, foi um dos jogos mais espetaculares
dos play-offs. Nenê abriu o placar para o Timão aos 23 minutos. Aos 29, Raí
empata, mas dois minutos depois, Ricardinho põe o Timão na frente de novo. Só
que mais uma vez o São Paulo empata, aos 40, com Edmílson. Tudo isso no
primeiro tempo. No segundo tempo, o São Paulo começou mais rápido que o Timão.
Em um escanteio para o tricolor, Dida defende e faz a reposição rapidamente
alcançando Edílson. Mais uma vez a zaga adversária estava desprotegida e Wilson
puxou a camisa do Capetinha. Pênalti, que Marcelinho converteu, levando o
placar para 3 a 2. Só que os dois lances mais espetaculares ainda estavam por
vir. Dez minutos depois, o São Paulo perdeu a primeira chance do empate. Nenê
cortou a bola com a mão e Edílson Pereira de Carvalho marcou pênalti. Raí cobra
e Dida defende. A Fiel foi a loucura. A vitória já parecia certa quando, aos 47
minutos, outro pênalti para o São Paulo. Raí quer cobrar novamente. Ele inverte
o canto. Dida também e defende de novo. A Fiel não acredita no que vê, mas era
verdade. Dida tinha acabado de entrar para história do Timão.
No próximo jogo (5 de dezembro), bastava uma vitória simples para o Corinthians ir à sua 5ª final
de Brasileiro. O primeiro tempo passa com os dois times desperdiçando chances.
Quando todos esperavam o fim dos primeiros 45 minutos, Ricardinho abre o placar
para o Timão. No segundo tempo,
novamente ambos os times desperdiçam muitas chances, até que Vágner, aos 25
minutos, empata para o São Paulo. Só que o tricolor não teve nem tempo de
comemorar, pois 2 minutos depois Edílson, aproveitando um toque de Kléber,
fecha o placar e coloca o Corinthians na final contra o Atlético-MG.
Na primeira partida
da final, em Belo Horizonte, o Corinthians começou perdendo, com um gol de
Guilherme aos 15 segundos de jogo. Foi o gol mais rápido em decisões nacionais.
O Corinthians joga mal e sofre o segundo gol, novamente de Guilherme, aos 27
minutos. Vampeta, aos 39, diminui para apenas um gol, mas ele de novo,
Guilherme, marca mais um e fecha o primeiro tempo em 3 a 1. O Corinthians volta
no segundo tempo melhor e consegue o gol, através de Luizão, aos 27 minutos.
Placar final: 3 a 2 para o Atlético. Um resultado em parte comemorado pelos
corintianos.
O segundo jogo (19 de dezembro), no Morumbi, o
Corinthians volta a jogar seu bom futebol e não tem dificuldades em ganhar por
2 a 0 com dois gols de Luizão, aos 28 do primeiro tempo, e aos 14 do segundo.
No terceiro jogo, também no Morumbi, o Timão tem a vantagem do empate. E foi o
que aconteceu.
No dia 22 de
dezembro de 1999, a fiel assistiu a uma das finais mais dramáticas e cardíacas
dos últimos tempos. No primeiro tempo, nada de gols, apesar de ter apresentado
boas chances para ambos os lados. Enquanto Guilherme levava perigo para o gol
do Timão, Marcelinho cobrava faltas com perigo e, uma delas, bate na trave e
sai. Termina o primeiro tempo. O Atlético volta
para 45 minutos finais disposto a marcar um gol e levar o título. Só que se
esqueceu de que estava jogando com o Timão, que armou uma defesa sólida para
impedir qualquer desgraça. E deu certo. Aos 47 minutos e meio, o juiz Carlos
Eugênio Símon apita o fim de jogo. Timão, Tricampeão do Brasileirão! E
novamente em cima de um clube mineiro.
Chuva e sofrimento na finalíssima, contra o Atlético Mineiro
O artilheiro do Timão foi Luizão, com 21 gols. Foi a primeira vez (e até hoje única)
que o Timão conquistou o Paulistão e o Brasileirão no mesmo ano.
Marcelinho ergue a taça do Tri, num Morumbi repleto de fiéis. O time campeão brasileiro de 1999: dispensa apresentações!