“Estou sonhando”. Foi exatamente isso o que eu pensei quando sentei e comecei a escrever esse texto.
“Meu Deus, vou escrever sobre o título da Libertadores! Há quanto tempo que esperei por isso!”
Há quanto tempo que 25 milhões de pessoas esperaram por esse momento.
Amigo corintiano, antes de começar o texto abaixo, que é histórico, peço licença para um desabafo e um aviso aos antis, que eventualmente aparecem por aqui.
Anti, não tenho a mínima idéia do que você faz aqui, mas já que está aqui: CHUPA! CHUPA, SEU BOSTA! E VAZA DAQUI. NÃO TEM NADA QUE TE INTERESSE DAQUI PRA BAIXO!
A minha vontade era mandar bem mais que um simples “chupa”, mas esse site não é pra isso.
Esse é um site para corintianos. Que estavam cansados de tanta chacota e gozação por nunca termos ganhado essa po#$% de Libertadores.
Mas relaxem. Acabou. Curtam o texto abaixo. Leiam com os olhos fechados, lembrando cada momento, cada lágrima e suor derramados para tornar esse sonho em realidade.
O Corinthians não se tornou grande ao conquistar a Libertadores, ao contrário do que dizem esses antis que tanto nos atormentaram.
A grandeza do Corinthians não vem dos títulos. Vem da sua história. Vem da paixão de sua torcida. O Corinthians já nasceu gigante.
Claro, é o título que perseguíamos há tempos. É o título que nos faltava. Precisávamos dele. Mas não para nos transformamos em “grande”. Isso sempre fomos, com ou sem Libertadores.
Bom, vamos ao que importa. Vamos recordar como o Corinthians conquistou a América e se libertou de seus traumas.
A campanha da Libertadores de 2012 começou como tudo na vida do Corinthians: sofrida e dramática.
A estréia ocorreu no dia 15 de fevereiro, contra o Deportivo Táchira da Venezuela. O Timão perdia o jogo até os 48 do segundo tempo, quando Ralf, aproveitando um cruzamento na área, empata o jogo: 1 a 1.
Por muito pouco, a invencibilidade histórica não foi para o espaço logo no primeiro jogo.
Na rodada seguinte, uma boa estréia no Pacaembu e vitória por 2 x 0 contra o Nacional do Paraguai, com gols de Danilo e Jorge Henrique.
Nessa altura do campeonato, o líder do grupo era o Cruz Azul, do México, mas bastaram os dois jogos seguintes contra o time mexicano para essa história mudar.
Fora de casa empatamos por 0 x 0, em um jogo que poderíamos facilmente ter saído com a vitória.
Mas ela viria no jogo seguinte, no Pacaembu. Danilo faz o gol solitário que colocou o Corinthians na liderança do grupo.
No dia 11 de abril, o adversário foi o Nacional. Teoricamente, jogo fora de casa. Na prática, o Timão jogou em casa, pois o jogo foi disputado em Ciudad Del Este, cidade próxima de Foz do Iguaçu. Vitória fácil por 3 x 1, gols de Jorge Henrique, Emerson e Elton. De quebra, classificação garantida nas oitavas.
Para encerrar a primeira fase em grande estilo, um sonoro 6 x 0 contra o Deportivo Táchira, em casa. Sobrou gol para todo mundo: Paulinho, Danilo, Jorge Henrique, Emerson, Liedson e Douglas.
Com 4 vitórias e 2 empates na Primeira Fase, o Corinthians termina como a 2ª melhor campanha, atrás apenas do Fluminense. Isso significava que, com exceção de um possível confronto contra o time carioca, o Corinthians iria decidir sempre em casa.
Nas Oitavas, enfrentaríamos o Emelec, do Equador. Mas tínhamos que enfrentar um outro adversário: a “Maldição das Oitavas”. Desde o ano 2000, quando o Corinthians chegou até a semifinal, o time era eliminado nas Oitavas. Foi assim em 2003, 2006 (ambas para o River Plate da Argentina) e 2010 (Flamengo). Isso sem contar 2011, quando foi eliminado na Pré-Libertadores, pelo desconhecido Tolima, da Colômbia.
O primeiro jogo, no Equador foi disputado no dia 2 de maio e terminou empatado em 0 x 0. Apesar do empate fora de casa sempre ser considerado um bom resultado, devido a regra do gol fora de casa, foi um empate perigoso. 1 x 1 em São Paulo, por exemplo, dava a classificação ao time equatoriano. Mas o Corinthians nem tomou conhecimento do seu adversário no jogo de volta. Com gols de Fábio Santos, Danilo e Alex, o Corinthians venceu o Emelec por 3 x 0, acabou com a “maldição das Oitavas”.
O adversário das quartas seria o Vasco. Um adversário que traz boas lembranças ao torcedor corintiano. Ao longo da história, o Corinthians sempre se deu bem contra o Vasco em mata-mata. Foi assim nas Copas do Brasil de 1995 e 2009, no Mundial de 2000 e na Copa Sul-Americana de 2006.
Como na fase anterior, o Corinthians voltou com o empate sem gols fora de casa, forçando a decisão para mais uma noite daquelas no Pacaembu.
E que noite. 23 de maio. O clima era de festa e otimismo. Dentro de campo um jogo muito difícil, que termina com o placar de 0 x 0 no primeiro tempo. Angústia nas arquibancadas do Pacaembu. O empate sem gols levava a decisão para os pênaltis. Mas a torcida continuava a apoiar, continuava a cantar. Não parava. Ou melhor, parou, sim, por eternos 7 segundos. 17 minutos do segundo tempo. Após bobeada de Alessandro, Diego Souza rouba a bola e corre, LIVRE, em direção ao gol. Livre. Livre. Só ele e Cássio. Há quem diga que foram 7 segundos. Há quem dia que foram minutos, horas de angústia. A torcida se calou. Olhou. Rezou. E esperou. Diego Souza chuta. Cássio, com a ponta dos dedos desvia a bola, que passa rente a trave e vai para escanteio. Ali, muitos já disseram que o título estava ganho, que era a tal “sorte de campeão”. Mas o jogo continuava empatado. Os pênaltis estavam chegando. Mas aqui é Corinthians. Paulinho, aos 42 minutos do segundo tempo, após cobrança de escanteio, sobe mais do que toda zaga adversário, cabeceia para o fundo do gol do Vasco e coloca o Corinthians na semifinal.
A Fiel vai ao delírio. Tite, que via o jogo junto com a torcida na arquibancada após a sua expulsão, também.
Aliás, a imagem de Tite e Edu comemorando o gol junto com a torcida jamais vai sair da memória e do coração da Fiel...
Na semifinal, o Santos, de Neymar. Seria um teste e tanto. O Santos vinha embalado pela conquista do Campeonato Paulista e queria vencer a Libertadores no ano de seu centenário. Na outra semifinal, o Boca enfrentaria a Universidade do Chile.
Nunca o Santos teve tantos torcedores como nessa semifinal. O Santos era Brasil na Libertadores. O Corinthians era o Corinthians na Libertadores. E isso bastava.
No primeiro jogo, disputado no dia 13 de junho na Vila Belmiro, Emerson Sheik, aos 27 minutos do primeiro tempo, acerta um belo chute no ângulo do goleiro santista e faz 1 x 0 Corinthians. O Santos pressionou, tentou, mas o ataque santista não foi páreo para a zaga do Timão. Placar final: 1 x 0 Corinthians e vantagem do empate no jogo de volta.
O Pacaembu viveu uma noite histórica no dia 20 de junho. A torcida estava ansiosa, tensa, confiante e otimista, tudo ao mesmo tempo! O Corinthians precisava de um empate para disputar a sua primeira final de Libertadores. Todos sabiam que ia ser um jogão, o jogo do ano do futebol brasileiro em 2012.
O Corinthians começou o jogo muito atrás, segurando o empate. E por isso mesmo, quem abriu o placar foi o time da Vila, com Neymar, aos 35 do primeiro tempo. Tensão. Esse foi desses jogos que a torcida canta um pouco e se cala. Não sabe se canta ou se rói as unhas. E a primeira etapa termina com vitória parcial santista. Mais uma vez, os pênaltis estavam chegando.Ou pior: mais um gol do Santos, e a classificação ficaria quase que impossível.
No segundo tempo, o Timão teve uma postura diferente e partiu pra cima. E logo aos 2 minutos, Danilo, o Senhor Libertadores, empata o jogo, após cobrança de falta cobrada por Alex. Delírio, lágrimas e mais tensão. O Santos não pressionou tanto quanto se esperava após tomar o gol de empate. E o Corinthians não conseguiu fazer o gol que mataria o jogo. A torcida já chorava nas arquibancadas. E chorou mais ainda quando o juiz apitou o fim de jogo. O Corinthians iria disputar a sua primeira final de Libertadores. Nunca estivemos tão perto do título inédito. E continuávamos invictos.
E quem seria o nosso adversário na final? Talvez o time mais respeitado e temido nessa competição. O perigosíssimo Boca Juniors, da Argentina, com seus 6 títulos da Libertadores.
Apesar da dificuldade do adversário, era isso o que quase 100% dos corintianos queriam: nada mais emblemático do que ser campeão da Libertadores vencendo o Boca Juniors na final.
O primeiro jogo foi disputado em 27 de junho no exótico estádio La Bombonera, famoso por ser um caldeirão.
Era muito importante o Corinthians voltar da Argentina com um bom resultado. No máximo, perder por um gol de diferença. A marcação do Corinthians era forte e o Boca não chegava com tanto perigo como se imaginava. O primeiro tempo termina com empate sem gols. No segundo tempo, o Boca volta disposto a fazer o gol da vitória e pressiona o Corinthians, até que aos 27 minutos abre o placar e faz a Bombonera balançar.. Difícil dizer o que se passou na cabeça da Fiel nessa hora... Tudo se encaminhava para a derrota e fim da invencibilidade. Mas aí brilhou a estrela de Romarinho. O jogador tinha feito sua estreia como titular quatro dias antes, contra o Palmeiras e marcado os dois gols na vitória sobre o nosso maior rival. Tite coloca o novato jogador aos 37 minutos, numa última tentativa de evitar a derrota. Três minutos depois, Romarinho recebe a bola de Emerson, dá uma cavadinha por cima do goleiro, empata o jogo e entra para a história como o primeiro jogador do Corinthians a fazer gol em uma final de Libertadores. Fim de papo na Argentina. 1 x 1. Estávamos a uma vitória simples de comemorar o tão sonhado título. E seria invicto.
04 de julho de 2012. Enquanto os americanos comemoravam a sua independência, o Corinthians entrava em campo para conquistar o seu primeiro título da Libertadores. Não tenho palavras para descrever esse dia. O dia nasceu mágico, diferente. A tensão estava no ar. O corintiano andava nas ruas em meio a diversos pensamentos e quase tropeçava na sua própria ansiedade. O pensamento era único: “É hoje! Meus Deus, tem que ser hoje!”.
Sem exagero nenhum, o clima era de final de Copa do Mundo. Só se falava nisso.
No Pacaembu, o clime era de festa, alegria e total otimismo. O primeiro tempo terminou com empate sem gols, com poucas chances para ambos os lados. Mas no segundo tempo essa história iria mudar.
8 minutos do segundo tempo. Falta para o Timão. Após uma pequena confusão na área, Danilo dá um toque primoroso de calcanhar para Emerson que não perdoa e abre o placar para o Timão. Êxtase no Pacaembu! O título estava cada vez mais perto.
O Boca já não se encontrava em campo. O Corinthians dominava o jogo e ia pra cima para matar o jogo. E matou, aos 27 minutos. Após falha do zagueiro argentino Schiavi, a bola sobra para Emerson, que corre em direção ao gol e chuta calmamente na saída do goleiro. Corinthians 2 x 0.
Não tinha mais jeito. O Boca estava entregue no jogo. E foi só esperar o árbitro apitar o fim de jogo, aos 48, para a Fiel comemorar o tão sonhado título.
O título que há muito tempo estava preso na nossa garganta.
Nas arquibancadas, uma cena curiosa: a torcida pulava, gritava, mas fazia mais do que isso. Se abraçava. Pai abraçando filho. Irmão abraçando irmão. Desconhecido abraçando desconhecido. Choro, abraços, alívio. Como se aquilo fosse o objetivo da vida de todos. Como se aquilo fosse a coisa mais importante na vida de todos eles. E naquele momento, realmente era.