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Campeonato Paulista - 1988

Cansado de levar surra, o Corinthians resolve fazer uma reformulação no elenco. Para o Paulistão, o técnico Jair Pereira apostou em pratas da casa como o goleiro Ronaldo, o zagueiro Marcelo, o volante Márcio e os atacantes Marcos Roberto e Viola.

Durante o torneio, Carlos e Edmar foram vendidos para a Europa. Com isso, as vagas para os ex-juniores aumentaram. Em campo, a equipe, apesar de jovem, mostrava coragem. No final da primeira fase, foi a São José do Rio Preto enfrentar o América. Se perdesse, cairia num grupo teoricamente mais fraco, com as equipes do interior: São José, Internacional e XV de Jaú. Do contrário, ficaria com São Paulo, Palmeiras e Santos, num grupo de onde apenas um seguiria adiante.

Sem medo, o Timão empatou o jogo em 1 a 1 e foi disputar a vaga contra os grandes. O primeiro jogo foi contra o São Paulo e terminou empatado em 2 a 2. No segundo, um pacato 0 a 0 contra o Palmeiras. Contra o Santos, na terceira partida o Timão ganhou por 3 a 2.

O segundo turno não foi muito diferente. Com outro empate diante do São Paulo (1 a 1), outro empate em 0 a 0 com o Palmeiras e outra vitória sobre o Santos por 2 a 0, o Timão garantiu a vaga para ir final. Faltava agora passar pelo Guarani, de Ricardo Rocha, Paulo Isidoro, Boiadeiro, Neto, Evair e João Paulo, lá em Campinas.

No primeiro jogo, 1 a 1, no Morumbi, com um gol do lateral-direito Édson (para o Timão) e outro de Neto (para o Guarani), de bicicleta, em Ronaldo, a partida terminou empatada. No próximo jogo, dia 31 de julho, o Guarani precisava apenas de um empate no tempo normal e na prorrogação para se sagrar campeão. Tarefa fácil... se não estivesse jogando contra o Corinthians.

O jogo foi realizado no Estádio Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas. Sem Edmar e depois sem Marcos Roberto, lesionado, o Timão teve que escalar o jovem Viola, que nunca tinha entrado na equipe como titular.

Durante os 90 minutos, o Corinthians suportou a pressão do bugre, segurou o 0 a 0 e foi para a prorrogação tentar seu 20º título paulista.


Biro-Biro encara a marcação do bugrino Paulo Isidoro na decisão

Eram jogados 5 minutos, quando o zagueiro Marcelo arrancou para o ataque e tocou a bola para Wilson Mano. O volante tentou chutar em gol, pegou mal na bola e acabou fazendo um cruzamento. Viola, que sentia cãibras, deu um carrinho e fez o gol do título. Festa da Fiel em Campinas. No ano do Centenário da Abolição dos Escravos, Viola, o único negro da equipe, deu o título para o Corinthians. Tornou-se ídolo da noite para o dia.

Veja o depoimento de Viola sobre o jogo:

“ Naquela final contra o Guarani eu tinha a missão de fazer o gol do título paulista. Por isso, fui à campo preparado com duas camisas. E foi o que aconteceu. Assim que fiz o gol, corri para aquela fantástica torcida que tinha ido à Campinas e dei a ela a camisa 9. Profissionalmente, aquele foi um dos momentos mais importantes da minha carreira. O título daquele Paulistão eu só comparo com a conquista do tetracampeonato mundial da seleção, em 1994.”

O artilheiro do campeonato foi Edmar, com 18 gols.

Esse título mostrou que o Corinthians é predestinado a ganhar títulos em anos de centenários, como já tinha acontecido em 1922 (Centenário da Independência) e em 1954 (IV Centenário de São Paulo).


O jovem Viola comemora o gol que deu o título ao Timão, em 1988


O time campeão de 1988
Da esquerda para a direita: Biro-Biro, Denílson, Viola, Márcio, Ronaldo, Dida, Édson,
João Paulo, Paulinho Carioca, Éverton e Marcelo.


A taça de 1988

Campanha - Campeonato Paulista de 1988
J V E D GP GC
27 14 9 4 42 22

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